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Jornal Folha da Manhã entrevista Joanna

A cantora Joanna, que reúne em sua trajetória diversos sucessos musicais, fala em entrevista à Folha da Manhã sobre seus próximos projetos e destaca alguns pontos marcantes na carreira nacional e internacional, sem deixar de mencionar sua constante participação em shows realizados em Campos e sua raiz em terra Goitacá. Joanna começou a despontar no cenário musical em 1974, a partir da participação no programa “A grande chance”, da TV Tupi, com a interpretação da canção “Última forma”, de Baden Powell. Na ocasião, Joanna foi classificada em primeiro lugar. Cinco anos depois, Joanna lançou seu primeiro disco “Nascente”. O álbum vendeu mais de 80 mil cópias e emplacou seu primeiro hit “Descaminhos”. O disco traz canções de Roberto e Erasmo Carlos e Gonzaguinha, além de composições da própria cantora. Ela que esteve recentemente em Campos, no II Festival de Petiscos, quer retornar e quem sabe lançar um novo projeto no Teatro Municipal Trianon.

Folha da Manhã – Em seu site oficial, no link “Biografia”, há o título “Dos subúrbios do Rio para o mundo”. Esse pertencimento influenciou de que maneira em sua trajetória musical?
Joanna – O subúrbio é um manancial de muitas influências que tive. No Rio de Janeiro vivemos duas realidades: a influência do subúrbio e a da Zona Sul. Eu sou uma filha do subúrbio carioca, onde pude desfrutar de muitas vertentes musicais. Comecei a cantar em bailes, toquei em grupos de rock, aprendi a conhecer os maiores nomes do samba e da MPB através dos programas de rádios locais em que sempre se valorizou a MPB. Enfim, toda minha formação veio do subúrbio aonde eu dei meus primeiros passos musicais.

Folha – No decorrer de sua carreira, você cantou diversos gêneros musicais, inclusive lançou um repertório religioso. Qual é o gênero que mais gosta de cantar? Por quê?

Joanna – Eu sou uma cantora de música popular brasileira, minha formação foi baseada na escuta dos grandes nomes da MPB. Tenho a facilidade de incluir no meu repertório diversos gêneros, pois, como tive uma escola da noite muito rica musicalmente, me dou o prazer de escolher variados ritmos tanto no meu CD quanto nos shows. Quanto ao CD religioso foi apenas um projeto isolado, aliás, muito bonito, em homenagem a um grande amigo: padre Zezinho. Não pretendo dar continuidade a outros projetos dessa natureza, o que fiz foi feito com muita categoria e bom gosto, mas, foi o último. Adoro cantar porque sou uma mensageira da alegria, não saberia fazer outra coisa!

Folha – Em 1998, você lançou um álbum em espanhol. Atualmente, mantém alguma relação com outros países latinos? Como foi essa experiência internacional?

Joanna – Todo sonho de um artista é cruzar fronteiras e mostrar sua música para o mundo. Eu tive a sorte de realizar esse sonho. Tenho uma carreira sólida fora do meu país, principalmente na América Latina, Portugal, África e outros países da Europa. É uma experiência gratificante, pois estou levando a bandeira da nossa música, que é tão rica, para conhecimento de outros povos. A música brasileira no exterior é muito querida, basta você saber plantá-la nesse mercado com muito esmero e dedicação.

Folha – Por falar em carreira internacional, você alcançou grande sucesso, sendo consagrada, por voto popular, na categoria Melhor Cantora no 5º Prêmio TIM de Música. Gostaria que comentasse esse capítulo que julgo muito importante em sua trajetória.

Joanna – Todo esforço e trabalho que a gente desenvolve dentro de uma carreira é na busca de um reconhecimento. Sempre procurei manter um foco na minha vida: introduzir sempre qualidade no trabalho que faço, nunca abri mão disso, mesmo num mercado tão fragilizado como o nosso em termos de vendas de CDS. Procuro imprimir uma marca, uma identidade naquilo que produzo, canto e componho. Quando você é laureado por um prêmio dessa categoria vê-se que ainda vale a pena investir no seu sonho!

Folha – Como você avalia o cenário musical brasileiro na atualidade com diversos grupos surgindo de forma independente na internet?

Joanna – Hoje é mais fácil mostrar um trabalho porque existe essa ferramenta que é a Internet. Ela é tão poderosa que muitas pessoas independem de outro tipo de mídia por ela fazer um papel muito mais abrangente. Esse ano sou jurada do prêmio da música brasileira, é o nosso “OSCAR” brasileiro, e tenho visto a quantidade de CDs independente concorrendo a esse prêmio tão disputado. É um mercado em expansão que provavelmente será a grande opção para quem quer mostrar seus trabalhos ao grande público.

Folha – Você disponibiliza suas músicas em seu site oficial para o público ouvir. Elas podem ser baixadas gratuitamente?

Joanna – Acho que essa ferramenta foi boa e ruim. O lado bom é a rapidez de como você se comunica com o mundo apoiado por um marketing digital, e fica mais independente das mídias mais tradicionais que mantinham um monopólio enorme. Por outro lado, perdemos o controle de nossos direitos autorais por ainda não termos uma plataforma de controle melhor do que temos para arrecadação. É tudo muito embrionário e para não ficar fora da divulgação do seu trabalho temos que viabilizar nossas músicas para ser baixadas gratuitamente. Quem disser que isso foi bom é incorreto, o lado ruim é que não vendemos mais CDs, que virou apenas uma arma de divulgação. Vivemos basicamente de shows. Cantora destaca ligações familiares com Campos

Folha — Você sempre está na programação cultural (e religiosa) de Campos e região. Qual é a sua relação com a cidade?

Joanna — Tenho grandes amigos por aí, é uma cidade muito bonita e de pessoas sempre muito queridas. Sempre fui bem recebida pelo povo de Campos, quer seja nos shows que faço, quer seja na programação radiofônica. Outra coisa que me liga profundamente a Campos é por ser a cidade de nascimento de minha mãe, isso me faz ter mais carinho ainda por essa gente e de me sentir mais em casa. Folha — Quais as estratégias que utiliza para permanecer produzindo, criando e conquistando novos públicos?

Joanna — Pesquisando, estando atenta a todas as tendências sem perder seu foco. Não adianta você acompanhar o mercado tentando ser “Moderno” e fugindo das características do seu trabalho. Você tem que adicionar novidades, sim, mas, dentro do seu parâmetro, às vezes ir até contra a corrente e ter um resultado fantástico, como aconteceu com “Joanna canta Lupicínio”, um projeto em homenagem a esse compositor, o qual foi lançado em plena época em que o axé estava no seu auge. Lançamos o produto e foi o CD mais vendido daquele ano pela gravadora e mais um disco de platina na minha vida.

Folha — Quais são seus próximos projetos?

Joanna — Espero poder até final do ano poder lançar um CD com músicas inéditas e consagrá-lo depois com um DVD, quem sabe faço aí no lindo Teatro Trianon. E ainda tem um musical pronto em homenagem a Lupicínio Rodrigues para o final desse ano, princípio do ano que vem, com participação do ator da Rede Globo Thiago Fragoso.

Fonte: Folha da Manhã Online